segunda-feira, 23 de julho de 2012

Casa Cor 2012

“Casa Cor se une a moda, estilo e tecnologia em 2012.”


            Olá leitores tudo bem com vocês? Sei que faz um tempo que não passo por aqui, mas voltei agora com o post sobre a Casa Cor. Acho que vocês todos sabem né do que se trata o evento não é? Pois bem esse evento tem como intuito lançar novidades e itens para decoradores e arquitetos, é quase como um SPFW de arquitetura, mas com um detalhe que a cada ano a organização elege um tema e esse tem que estar presente em todos os ambientes do evento.

            Na mostra ano foram trabalhados três temas: Moda, Estilo e Tecnologia, portanto os ambientes tinham que ter uma conexão com um desses três pilares da mostra, a minha visita iniciou-se pela Casa Hotel uma ramificação da mostra que é basicamente voltada para o ramo hoteleiro. Nessa parte estavam montados os quartos de Paulo Borges (SPFW) com uma linda colagem na parede dele com seu filho, além disso, o quarto minimalista trazia outras surpresas com destaque para as luminárias e o tapete fofo, no mesmo setor encontrava-se a suíte de Michel Teló com direito a colagem na parede e autógrafo do próprio para a arquiteta Simone Goltcher que fez um quarto funcional e moderno com destaque para o armário com um cabideiro giratório similar ao visto no filme as patricinhas de Beverly Hills.

            Nesse mesmo setor havia outras suítes, mas não merecem destaque por serem um tanto quanto exageradas demais, posteriormente fui de fato a Casa cor que mostrava ambientações suntuosas e exageradas, mas mesmo assim merece destaque o terraço em homenagem ao joalheiro Guerreiro, era um ambiente pequeno, mas aconchegante bem ao estilo lounge, ou seja, uma delícia, paralelo a esse ambiente havia uma cozinha gourmet com uma nítida inspiração no trabalho de Alexander Mcqueen e Alexandre Herchcovitch, toda em prata a cozinha trazia as caveiras e os spikes tão conhecidos nos trabalhos de ambos.

            Andando mais pela mostra próximo ambiente de Jóia Bergamo havia o iglu modernista de Léo shehtman todo branco o arquiteto propôs um ambiente multifuncional que aliava cozinha, quarto e banheiro em um só ambiente esse pode ser a solução para a superpopulação, mas isso só o futuro dirá. E por fim cheguei ao ambiente de Jóia Bergamo que foi inspirado pelo trabalho de Kenzo Takada o ambiente todo tinha influências no japonismo através das cores que traziam pretos, vermelhos e brancos além das formas geométricas quadradas.

            Merece destaque também o ambiente criado por Jun Nakao, esse ambiente com um quê no surrealismo também trazia um perfume nipônico, mas diferente do ambiente de Kenzo percebe-se que Jun quis fazer um Japão lírico e sonhador utilizando-se de origamis e espelhos criando um quarto moderno mas ao mesmo tempo clássico tal qual o Japão contemporâneo.

(Fotos do autor)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Macrotendências: Inverno 2013

“Macrotendências de inverno por Pascaline Wilhelm”

Olá leitores tudo bem? Sei que era para eu falar aqui da Casa cor que fui visitar semana passada, mas resolvi encerrar o assunto Première Vision antes de pautar a mostra de decoração, sei que para muitos uma mostra de arquitetura e ambientes parece meio fora do assunto moda, mas é que esse ano o tema principal da Casa Cor foi “moda, estilo e tecnologia” por esse fato vou fazer um post sobre o evento nessa semana agora. Mas voltando a falar de inverno.

Viktor Rolf 208x600 Tendências Inverno 2013   Première Brasil apresenta as cores e as histórias da estação            Sei que já falei das tendências e tal, que conjuga opulência e minimalismo, mas nesse post trago as macrotendências propostas pela própria première para a estação. Explico acontece que para realizar o salão a empresa geradora faz pesquisas de temas e assuntos que estão sendo discutidos na atualidade e essa pesquisa é lançada de forma condensada para os expositores e visitantes de cada edição da Première Vision no caso os expositores tem contato um pouco antes da realização do evento em um tipo de briefing que já aponta para o tema central do salão entre outros assuntos referentes, em poucas palavras essas macrotendências são um guia para o desenvolvimento das coleções têxteis e de moda.

            Esse ano os temas que serão trabalhados no inverno apontam muito para uma redescoberta do eu, ou seja, uma volta às raízes a o simples e ao funcional como bem definido no book que foi distribuído pós-conferência realizada a estação é uma volta à consistência e ao sexy. Essa volta se divide em três períodos interligados que contam histórias do tempo, aventuras e sensações, pois o inverno também traz a volta do sensorial dos tecidos que aguçam o tato e transmitem mensagens ao corpo.


y 3 02 221x600 Tendências Inverno 2013   Première Brasil apresenta as cores e as histórias da estação            As histórias do tempo conjugam resumidamente a união do antigo com o novo, reinterpretação das silhuetas histórica atrelando a opulência e dissipando os excessos, ou seja, a combinação de vários períodos no mesmo look. Embora esse conceito possa parecer vintage no caso dessa tendência não já que ela conjuga estilos de um mesmo período além de trabalhar com anacronismo que é um conceito bem interessante.

            As histórias de aventura conjuga um conceito muito interessante atualmente que é a união do esporte com a moda, essa união aparece no estudo da cidade que pode ser visto através das roupas multicamadas além do estudo em diversos locais que transmitam uma nova realidade a esse mundo urbano contemporâneo. Em resumo essa tendência tem que refletir o cotidiano através de camadas ou experiências têxteis que acolhem o corpo através da união da elegância com a utilitária roupa de trabalho.

            E por fim a ultima macrotendência que conta histórias sobre sensações, basicamente essa tendência traz uma maior volta toque isto é um retorno ao prazer e a experiência tátil, esse conceito é bem interessante, pois ultimamente isso está se perdendo através do excesso de informações e sentimentos. E essa tendência sugere totalmente o contrário já que permite a experimentação e a possibilidade de erros e acertos através da divagação da imaginação.

            Pelo que se percebe o inverno será repleto de experiências e imaginações então nos resta agora apenas aguardar o que a próxima estação nos sugere e se de fato a moda brasileira transmitirá essas informações no SPFW e Fashion Rio, fiquemos atentos queridos leitores e até breve.

(fotos retiradas de http://www.fashionbubbles.com/moda/tendencias-inverno-2013-premiere-brasil/, representando as três tendências de inverno:  Histórias de sensações,aventuras e dos tempos.)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Eco Luxo presente também no Jeanswear

"Eco Jeans surge como novidade para o inverno 2013”

                   E continuando o post anterior vou falar de duas indústrias do ramo de jeanswear que mostraram propostas maduras e bacanas na première principalmente por que ambas as fábricas desse post preocuparam-se com o meio ambiente assunto discutido muito na indústria da moda


             A primeira é a Covolan que nessa estação lançou um estilo de denim fantástico que veio diretamente da Itália para a feira, muitos de vocês não devem saber, mas para se confeccionar uma calça jeans se gasta muita água além de que o processo de tingimento é demorado e também danoso a natureza. Pensando nisso a Covolan lançou um jeans que tem a mesma durabilidade e estilo do comum só que em sua produção ele consome 40% menos de água intitulado de Genius denim ele também aperfeiçoa o processo de lavanderia em até 75% o que provoca uma maior preservação da natureza.


            Outra marca que também lançou uma linha de denim irreverente e preocupada com o meio ambiente foi a Cedro têxtil que esse ano completou 140 anos de fundação. No meio dessas comemorações  eles levaram para a Première Brasil seus novos produtos para o inverno a linha deles pode ser dividida em três partes principalmente pelo fato de eles investirem no jeans estampado uma tendência não muito comum aqui no Brasil essas três partes são as linhas denim, colours e prints em cada uma dessas linhas foi criada uma cartela e contexto exclusivos, é interessante perceber que os brasileiros agora estão começando a olhar o jeans colorido de outra forma a Cedro por exemplo uniu acabamentos diferenciados além de também trabalhar com acabamentos especiais principalmente resinados e metalizados que dão um toque diferenciado a peça de sua linha colors.


            Na linha de estampas aposta que a Cedro já tinha feito na Première de janeiro houve o surgimento de mais 40 tipos de estamparia que ia das listras até xadrezes e misturas de formas, o fato interessante é que esse trabalho de estampa veio com a opção desbotável sendo muito mais fácil de intervir através da lavanderia o que dá um toque especial em cada peça. Já na linha denim que é o forte da Cedro têxtil foram os jeans mais pesados, imagino que  muito de vocês não saibam mas o jeans é pesado em uma unidade de medida chamada oz e a indústria propôs na première peças de 8 a 10,5 oz ou seja peças bem pesadas e estruturadas as quais entram em harmonia com o frio de 2013 as cores utilizadas nessa linha foram sobretudo matizes de azul além de utilizarem na construção traços de poliéster que propunham um toque diferenciado e uma maior aplicação nas confecções feminina, masculina e infantil.

                                                                                                 
            No próximo post como já salientei no 1° as macro tendências de Pascaline Wilhelm e sua equipe da Première Vision de Paris, já falei muito dessas tendências principalmente no post de ontem, mas vou retornar pois ela deu uma palestra na feira na qual explicava com detalhes e exatidão de onde havia surgido cada uma e o por quê além de sugerir cores e texturas.

Jeanswear também esteve na Première Brasil 2013


“Assim como os tecidos o jeanswear também aparece reinventado em 2013”

              E continuando as tendências para o inverno 2013 agora vamos falar do segmento de jeans, agora vocês me perguntam o porquê do jeans? Simplesmente pelo fato de o Brasil ser o 2° maior produtor e o 3° maior consumidor desse produto do mundo interessante não? Só para vocês terem uma ideia grande parte dos jeans top do setor como Diesel, Seven For All Mankind, Citizen Of Hummanity, Taverniti So Jeans vem daqui do Brasil.

             E muitas vezes as calças em si são fabricadas dentro do país de origem havendo apenas a adesão da etiqueta importada que diferencia o valor final da calça jeans. Mas vamos às propostas apresentadas tive contato com vários fornecedores da Itália, China, mas vou falar dos brasileiros que apresentaram propostas bem bacanas do setor.

            Entre os destaques vou falar nesse post da Canatiba que lançou vários projetos bacanas paralelo a sua coleção, da coleção em si destaco a linha Max Skin que foi trabalhado para ter um toque ultra macio, mas sem esquecer-se do luxo, conforto entre os fios utilizados na confecção desse jeans estão modal, liocel, algodão e elastano que dão ao denim um aspecto de produto refinado e uma sensação de alto conforto a quem usa.

           Além desse lançamento de denim que é dividido nas linhas megaflex, sexyfit e premium denim a empresa também lançou um projeto diferente e bacana chamado de “Canatiba Fashion Truck” esse projeto tem como função divulgar o portfólio da compania em diversos polos de jeans pelo Brasil para isso foi adaptado um caminhão que após a Première Brasil esteve pronto para rodar servindo de showroom itinerante. Isso é uma proposta muito interessante pois mostra a preocupação da empresa em divulgar seus produtos fora dos grandes centros têxteis e industriais essa preocupação é muito bem vinda nesse momento em que a moda está mais na moda do que nunca.


            É fascinante também constatar que o seguimento jeanswear brasileiro não se vê mais refém das tendências estrangeiras tanto isso é verdade que para desenvolver essa coleção de denim a Canatiba contou com a consultoria de Ricardo batista vindo de Portugal que em parceria com as lavanderias locais e do designer Jairo Duarte criaram as linhas de jeans vistas durante o evento. Isso prova mais uma vez o amadurecimento da indústria de jeans e a modernização das lavanderias brasileiras.

            No próximo post mais novidades em jeans dessa vez de duas confecções que lançaram propostas interessantes eco friendly.



terça-feira, 10 de julho de 2012

Luxo ecológico tem destaque na Première Brasil 2013

“Apostas do Inverno 2013”

              E continuando o post anterior sobre as referências e tendências apresentadas por algumas fábricas na Première Brasil tratarei agora da coleção da fábrica de Tecidos Doptex, e não isto não é publicidade como bem salientei no post anterior, portanto não prolongarei o assunto ok? Agora vamos à coleção de fato.

            Com o tema central de Eco – Luxo a doptex propôs uma reflexão sobre o mundo moderno, ou seja, uma redescoberta e reinterpretação de nossa própria pessoa deixando de lado os excessos e a extrema opulência e acima de tudo abandonar nem que seja por uma estação o luxo capitalista extremado, essa referência sobre as coisas simples é algo que eu vi em alguns desfiles da SPFW de verão 2013 e que como foi compreendido no evento da Première Vision irá continuar no inverno do ano que vem.

            Esse tema vem trabalhado na coleção de tecidos através do luxo sustentável conceito que combina o orgânico com o sustentável e o luxo simplesmente, é interessante perceber como a indústria têxtil está se atentando a temas mais próximos da realidade isto é algo mais cotidiano e próximo à realidade acredito que os desfiles de inverno da SPFW de outubro serão cada vez mais próximos as ruas e a vida comum e não mais festas opulentas para uma pequena plateia. A cartela também foi trabalhada seguindo esses preceitos de natureza e simplicidade através do trabalho com tons ao amanhecer, isto é os tons apresentados vieram de um passeio no bosque um pouco antes do amanhecer criando um interessante contraste entre tons escuros e marcantes com outros claros e frescos.


            Além do luxo ecológico a marca trabalhou com o neutro, criando uma linha têxtil muito interessante que procura combinar o ócio com o equilíbrio e tirando dessas palavras chave uma série de tecidos e peças com a função de modelar o corpo, mas não restringindo movimentos, como bem afirmado no release da marca a função da neutralidade na coleção é criar um ser humano mais envolvente, suave e corajosamente modesto. Essa modéstia e suavidade puderam ser percebidas na cartela de cores do tema, que foi trabalhada em tons pastéis os quais proporcionam equilíbrio e tranquilidade.


            Antes de continuar cabe aqui uma observação, diferente das coleções de moda onde só se utiliza uma cartela de cores as coleções têxteis por trabalharem com um tema central e outros temas complementares requer cartela de cores individuais a cada tema, ou seja, cada tema trabalhado pela indústria tem sua própria cartela de cores e silhueta o que é muito interessante, pois permite que cada estilista trabalhe com o tema que seja mais conveniente para sua marca ou confecção.

            Por fim a marca também trabalhou com conceito de hipercultura, diferentemente de outras fábricas presentes a doptex apresentou uma proposta nova para esse tema, trabalhando com uma mistura de cores e tecidos a marca propôs um streetwear irreverente que propõe uma releitura de diversas culturas criando uma nova estética que mexe com sensações e trabalha com movimentos e contrastes criando um interessante mix cultural.


            Tiveram muitas outras tendências propostas, mas destaquei essas duas fábricas pois suas cartelas e tendências apresentadas iam de encontro as propostas por Pascaline Wilheim da versão européia da Première Brasil.


(fotos tiradas por mim do book de tendências da doptex)

Première Brasil: Alguns temas para o inverno 2013


“O inverno brasileiro vem com diversas vertentes"


            Olá gente tudo bem? Como eu disse na postagem anterior, semana passada estive colhendo informações do inverno em São Paulo e agora trago aqui para vocês alguma noção da estação que virá. Pode parecer um post com conteúdo publicitário, mas não é, já que ainda não pretendo fazer media kit e procurar anunciantes e como bem salientei o conteúdo do blog é puramente informativo e de conteúdo não havendo espaço para look do dia ou testes de maquiagem! Por outro lado cubro desfiles, portanto se alguém interessar-se pelo meu trabalho estou disponível para fazer cobertura. Agora vamos ao que interessa não é?

          Bem como salientado a Première Brasil é enorme e com muitos expositores que trazem suas tendências e referências para a estação mostrando-as para um seleto grupo de profissionais e compradores. Estando lá pude ver diversas novidades, mas nesse post vou resumir as tendências de duas fábricas de tecidos e somente duas, pois as cartelas apresentadas por ambas exemplificam bem a cartela que a feira divulgou, ou seja, ambas estavam em sintonia com o conceito de inverno traçado pela Première Vision, a primeira é uma fábrica do sul do país especializada em malharia chamada RVB malhas, uma informação interessante sobre eles é que era a primeira vez que expunham na feira e por isso haviam investido em um espaço diferenciado e fascinante.

            Baseada na Turquia e os seus mistérios orientais a coleção apresentada trazia um pouco de tudo no que diz respeito a cores, desde tons terrosos até outros mais irreverentes. O que foi interessante é que eles procuraram traduzir a cultura turca utilizando-se de duas vertentes primeiro exaltando o enigmático e depois exaltando as cores e estampas presentes no vestuário local. Além desse tema central a fábrica procurou trabalhar outros pilares que muito se discutem na indústria da moda hoje em dia o primeiro é a integração com a natureza. Nesse pilar foram utilizados muitos tons terrosos além de outros tantos vibrantes estes visivelmente influenciados pela natureza e o estilo de vida rústico de tribos africanas, essa vertente ainda trouxe uma alternativa o extremo rústico ou extremo luxuoso criando um conceito rústico sofisticado e suntuoso na medida para os clientes eco friendly.


            Outro pilar trabalhado pela marca foi o de falsa uniformidade, ai pergunta-se o porquê, simples, pois a sociedade hoje em dia propõe uma moda única e um jeito único de fazer e essa malharia mostra uma cartela que vai contra todos esses conceitos e que ao mesmo tempo vai de encontro a eles provocando um falso uniforme. Para isso eles exploraram muito a moda urbana das passarelas, mas engana-se que inspiraram-se em modelagens certinhas e harmônicas para a RVB essa coleção é representada por assimetrias e reconstruções de silhuetas, isso fica muito nítido na cartela de cores trabalhada nesse conceito que se espelha principalmente nos tons escuros além de também trazer tons mais claros que distribuídos provocam interessantes contrastes os quais estão muito conectados com os conceitos da moda atual.

            Combinando todos estes conceitos a marca ainda propôs para o inverno outro pilar que trabalha o conceito de colaboração visual, eu deixei esse conceito por ultimo por uma razão muito simples, pois ele vai de encontro com todos os outros conceitos trabalhados. Tanto para a RVB quanto para mim a moda é nada mais nada menos que uma colaboração onde misturamos tendências, cores e estilos para criar a nossa própria identidade. Na versão da fábrica essa contribuição aparece colorida provocando uma fusão entre o étnico e o pop tal qual o oriente é alternando momentos de ostentação e decadência além de combinar tradição e modernidade, tal qual a sociedade atualmente combina, para isso a sugestão dada de cartela de cores é bem diferenciada e passa entre laranjas e azuis terminando no verde e azul petróleo o que cria um interessante conflito de colorações que sintetiza muito bem os altos e baixos do inverno brasileiro.

            Eu ia continuar essa postagem falando da outra fabrica têxtil que também mostrou seus lançamentos na feira, mas por esse post ter ficado muito grande continuarei no próximo.




segunda-feira, 9 de julho de 2012

Première Brasil: Inverno 2013

“Feira francesa antecipa tendências do inverno 2013”


              Olá leitores do blog tudo bem com vocês? Eu sei que nem bem acabou a SPFW, mas para quem me segue no facebook,instagram e twitter já sabe que essa semana vou falar da estação vindoura e não é da semana de alta costura de Paris e sim das tendências gerais de inverno.


            Pode parecer atropelo, mas não é não, acontece que semana passada São Paulo sediou a sexta edição da Première Brasil uma das feiras de tendência chanceladas pela francesa Première Vision, essa feira tem como intuito através de palestras e feira de expositores exibir um panorama geral da próxima estação e esse ano pela primeira vez o inverno foi lançado aqui no Brasil bacana né?  Como bem explicou a Diretora de Moda Première Vision, Pascaline Wilhelm é comum eles lançarem o inverno na feira em Nova Iorque, mas esse ano em função do calendário o lançamento inicial foi aqui em São Paulo.



            Essa feira tem um papel muito importante no desenvolvimento do mercado têxtil que posteriormente será reinterpretado para as passarelas de SPFW e Fashion Rio, pois antecipa o que será utilizado na próxima estação. É interessante perceber que uma feira dessa magnitude atraia muitos expositores tanto da América latina como de outros países do globo e tê-la instalada no Brasil é muito importante. Vocês sabiam que a indústria têxtil brasileira ocupa o quinto lugar como o maior produtor têxtil? E que é o quarto maior produtor de confeccionados do mundo? Esses números a primeira vista podem assustar como até a mim que sou especializado em cobrir desfiles e não feiras têxteis, mas mostra como esse setor cresce a cada ano movendo a assustadora quantia de US$ 63 bilhões anuais, além de sermos o segundo maior produtor de denim e o terceiro maior consumidor de denim do mundo.


Fórum de tendências da 6ª Première Brasil.


            A partir desses dados apresentados já dá para ter uma noção do quanto é importante que uma feira do tamanho e tradição como a Première Vision esteja aqui no país lançando as tendências, e tem mais paralelo aos negócios que são realizados há uma curadoria de moda, é um pouco esquisito pensar nisso não? Então essa curadoria procura referências que possam sinalizar uma tendência a ser seguida na estação que virá tanto pode ser verão como inverno e esta tendência é apresentada na feira junto com a cartela de cores que além de ser exposta durante a feira também pode ser comprada.

            Essa apresentação se dá no Forum de Tendências da feira que propõe uma imersão total dos visitantes aos temas da estação, e também exibe os principais tecidos das coleções apresentadas além de uma versão gigante da cartela de cores o que possibilita uma visão global de como será a estação conectando o país em que a feira está acontecendo com o timing da moda mundial. Falando assim parece apenas mais uma feira nos moldes da Fenit, mas não é já que ela também tem palestras com a equipe de moda da edição francesa da feira onde através delas se descrevem e contam de onde surgiram os temas que a feira propôs para a estação através de vídeos o que facilita o visitante a entender os conceitos apresentados. Esse ano a feira contou também com a adesão do Instituto Francês de Moda que trouxe o historiador Laurent Cotta para falar sobre tecidos como fonte de criatividade e inovação na moda.



            Sei que já falei da importância da Première Vision como lançadora de tendências aqui no Brasil e também sobre ser uma feira vinda da França, mas vocês não imaginam o tamanho desse evento só na Europa a feira chancela sete feiras simultâneas dos mais diversos segmentos que vão desde couro até jeans passando pela produção de moda e outros setores, durante o ano a Première realiza 20 salões em diversas partes do mundo que juntas atraem 3.400 expositores e 160.000 visitantes, bastante gente né?

            Portanto é uma honra para um país como o Brasil sediar uma das edições da Première Vision que inclusive já tem as datas de verão 2014, mas só postarei mais para frente junto com outras novidades que colhi na minha visita a feira.


(Vídeo oficial da cobertura da 5° edição da feira realizada em janeiro)


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Por dentro da Moda: Dani Manna


Depois de um período falando apenas de SPFW, volto com a sessão de entrevistas aqui do blog com a publiciária e blogueira Dani Manna.



P- Como você começou na moda, sempre teve interesse?

Dani Manna - Sempre amei moda, comprava livros e lia revistas, mas ano passado com incentivo de uma cliente da agência, montei o blog. Deu tão certo que resolvi estudar e me profissionalizar nesta área também.

P- Como foi projetado o blog da manna, podemos defini-lo como um case de sucesso? Você esperava tanto sucesso?

DM - Depois de um ano e meio, considero um sucesso sim, manter média de 2500 acessos diários não é pra qualquer um. Me dá um trabalho gigante, é cansativo, mas compensador. Encontrar com pessoas na rua que me reconhecem e parabenizam é bom demais.

P: E sua carreira profissional? Pois veio do campo de publicidade houve alguma mudança de linguagem entre a sua entrada no mundo dos blogs?

DM - Hoje a minha carreira é ligada a moda, tanto como blogueira, produtora e jornalista. Por conta de tantos afazeres me afastei da publicidade e me dedico 100% à moda. Eu já tinha experiência com blog por conta do Regime Feliz, blog que criei para me auxiliar na perda de peso. A linguagem, na net, é mais aberta e livre, já no jornal é preciso um pouco mais de cuidado, nada gírias e gracinhas.

P – Pelo que percebo você é bem próxima de seus leitores, como você encara essa proximidade agora como blogueira de moda?

DM - É uma delícia ter esse retorno imediato sobre o que escrevo saber o que elas querem ler é primordial para que tudo corra bem e agrade sempre minhas seguidoras.

P – Percebo que você com o passar do tempo adicionou outras ferramentas ao seu portal como moda masculina e plus sizes além de maquiagem, como foi essa abertura de horizontes?

DM - Foi justamente vendo e analisando o que as pessoas queriam ler além do que eu já escrevia. Sozinha eu não daria conta de tratar semanalmente de assuntos específicos, então montei uma equipe que me auxilia e faz com que o blog fique melhor a cada semana!

P – Como você encara na perspectiva atual a profissão blogueiro/a de moda?

DM - Faço muitas coisas além do blog, consultorias, palestras, editoriais de moda e escrevo para outros veículos, encaro o blog como uma vitrine onde exponho meu trabalho. Acho que a “profissão” blogueiro/a está em alta agora, mas só os bons sobreviverão depois que a onda passar.

P – Você acredita que hoje o blog de moda perdeu a sua característica de futilidade? Como você analisa o mercado atualmente?

DM - Não, as pessoas ainda encaram como futilidade e não é por acaso, aquele lance de look do dia, fotos de garotas desfilando na Bienal durante o SPFW, sem acrescentar nada de útil ao leitor, nivela o mundo da blogosfera por baixo. As pessoas já estão se ligando que isso tem vida útil e quem não se mexer, vai ficar no ostracismo.

P – Se pudesse deixar uma dica a um futuro blogueiro/a de moda qual seria?

DM - Minha dica é simples: Pense sempre em escrever coisas úteis, que realmente acrescente na vida de quem te segue. Pense em você lendo um post, ele te ajudaria em algo, se sim, você está no caminho certo!!!!

Espero que tenham gostado e continuem acompanhando o blog.

Reflexões da SPFW

Depois de 22 desfiles chegou a hora de refletir”


            Olá gente, nesse não é um post sobre o SPFW e sim sobre uma reflexão do que eu vi e passei para vocês nos posts. Todos esses desfiles mostraram uma coisa engraçada que o verão aqui do Brasil é de extremos que vai do preto ao branco e passa pelo azul, verde, amarelo entre outras coisas, e outro ponto é interessante ver como essa temporada trouxe coisas novas e deu um gás para a moda brasileira no geral seja através da volta de clássicos como a Forum que nessa estação veio com a direção de Marta Ciribelli ou a estreia de Vitorino Campos.

            Uma coisa bacana dessa SPFW foi a sustentabilidade através do trabalho beneficente de Marcelo Rosenbaum que inclusive expôs seus produtos sustentáveis no 3° piso da bienal, é legal ver como a moda hoje em dia se preocupa com o outro, isto é com os menos favorecidos já que culpam muitas vezes a indústria da moda como sendo um bando de criadores abastados que só pensam em consumo esse projeto “A gente transforma”  mostra o oposto colocando a moda como um movimento cultural que se preocupa com o próximo.

            Agora elejo os meus preferidos, no topo está a sempre bela Glória Coelho com sua modelagem precisa e cartela de cores bem delineada, em segundo André Lima que propôs uma alfaiataria de primeira linha com detalhes bárbaros, Vitorino Campos com sua estreia baseada na escola clássica de modelagem e criadores, muita gente disse que a coleção foi preguiçosa, pois era tudo muito certeiro em minha opinião não foi assim acontece que Vitorino foi preciso e bebeu das fontes clássicas como Givenchy, Chanel, Dior para criar uma mulher contemporânea e feminina que prefere se vestir de preto e branco do que ser uma alegoria uma mulher que será percebida pelos seus atos e não pela roupa, ou seja, uma mulher chique clássica.

            Teve também Amapô de Carô Gold e Pitty Taliani que mostraram o lado divertido da indústria mesclando figurinos teatrais com roupas comerciais com uma trilha sonora deliciosa que mesclou rocks atemporais e divertidos, da moda praia destaco o desfile da Água de Coco que trouxe a Turquia para São Paulo através de biquínis e maiôs bem detalhados e modelados e uma trilha sonora minimalista que fazia a ponte entre a Turquia histórica com a contemporânea.

Deixo agora aqui algumas fotos do meu acervo do SPFW com filtros do Instagram.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Samuel Cirnansck: Verão 2013

“Samuel Cirnansck homenageia Lua de Cristal na SPFW”

        Por fim chegamos ao fim da SPFW aqui no blog, foram 22 desfiles vistos comentados e recomentados por aqui espero que tenham gostado da cobertura no próximo post vou eleger meus preferidos e explicar por que ok? Mas agora vamos falar do ultimo desfile da temporada, se antigamente cabia a o paraense André Lima fechar a SPFW dessa vez coube a Samuel Cirnansck fazer o último e derradeiro desfile de verão 2013.

           Confesso a vocês que não conhecia muito bem o trabalho dele, isto é já tinha ouvido falar sobre, mas nunca tinha tido a oportunidade de ver um desfile ou visitar sua loja ou ateliê como já fiz indo as boutiques de Glória Coelho, Lino Villaventura, André Lima entre outros, mas agora vamos falar da coleção. Depois do desfile anárquico e divertido da Amapô e os deslumbrantes de André Lima eu fui ver Samuel esperando no mínimo uma lindíssima coleção de noite com um que de alta costura, ou seja, uma roupa de sonho para princesas modernas e madrinhas, mas tive uma decepção.



         Com uma ambientação de heras e grades art noveau, o estilista levou seus telespectadores a outro mundo habitado por ninfas aquáticas que se vestiam de puro tule nude, preto e branco adornados com colares poderosos de pérolas e também corais como adereços, essa riqueza estética aparecia muito nos bordados e golas que apareceram em diferentes tamanhos e comprimentos durante todo o desfile. Na minha visão o desfile todo não passou de uma homenagem a o mítico filme Lua de Cristal estrelado pela Xuxa, pois de verdade não vi nada de novo e 100% criativo, pois bordados em roupas de festa ou em vestidos de casamento é algo comum ainda mais sendo de pérolas, algo que particularmente já chega a ser um pouco over.

            Tudo bem que o designer quis criar uma coleção de joias para vestir é interessante já que hoje em dia uma roupa às vezes cria uma melhor impressão que um colar da Cartier, mas o bege não funcionou, embora os outros looks em preto e branco transmitiram melhor a ideia de ninfas e leveza que o designer tanto quis realçar no desfile. Entre esses escorregões merece destaque um interessante jogo de transparências, para quem não sabe o tule é muito fino então para esconder alguns detalhes Samuel trabalhou com muitas camadas de tecido que quando as modelos caminhavam se deslocavam mostrando pedaços de pele e escondendo outros dando um interessante efeito de cena.






Amapô: Verão 2013

“A festa rock de Carô Gold e Pitty Taliani”


              Olá leitores, depois do desabafo de ontem sobre os blogs voltamos ao foco principal que é falar de moda com cunho jornalístico, mas sem ser piegas ou ditatorial. Dessa vez vim falar da coleção festiva rock and roll da Amapô já era para eu ter falado dela há certo tempo afinal foi o penúltimo desfile da SPFW talvez por falta de tempo e desatenção não consegui.
            Foi o 1° desfile das meninas que vi e sai maravilhado e surpreso, com um tema festivo sem uma linha central, o que se viu na passarela foram verdadeiros figurinos na medida para as estrelas do quilate de Gaby Amarantos, Rita Lee, Debbie Harry, Tina Turner. Foi uma coleção anárquica, mas adorável! Eu mesmo não tinha visto e não conhecia o trabalho das estilistas mesmo assim me surpreendi, não houve propostas de silhuetas, mas sim uma grande brincadeira de formas e volumes como exemplo destaco um vestido preto que tinha em sua modelagem grandes volumes que pareciam feitos de papel.
           
         

         Como elas bem definiram no release, o verão 2013 da Amapô é uma mistura de itens tal qual o Brasil uma verdadeira salada mista onde o homem usa cangas estampadas, as mulheres usam paletós com corte masculino, calça sarongue, detalhes em palha. Ou seja, uma verdadeira diversão e a moda não é uma fantasia que vestimos dia a dia? É claro que a roupa será decomposta para a venda ao público das duas e transformada em camisetas, saias e calças, mas no momento da SPFW foi um desfile delicioso de se ver e muito divertido, pois foi contra os conceitos sérios de que um desfile nesse evento não pode ser criativo e tem que ser vendável, para isso elas montaram homens usando vestidos envelopes e túnicas como os tibetanos subvertendo a moda masculina em feminina o que deu um toque muito irreverente ao show.

           No fim a apresentação também serviu de manifesto em favor da diversão, com destaque a deliciosa trilha sonora produzida por um duo de DJs mesclando rocks nacionais clássicos que todo mundo da sala conhecia e acredito cantou junto, transformando a apresentação em uma festa divertida e animada tal qual a coleção de figurinos apresentada além da trilha às estampas também merecem    destaque por sua criação já que uma foi criada em um workshop durante o Fashion Cruise 2012 e a outra pelo artista plástico Fábio Gurjão, ambas traziam a esfera tropicalista e brasileira que tanto falta na moda hoje.




quarta-feira, 4 de julho de 2012

Carta Aberta aos Blogs de Moda


“Blogueira/os de moda: jornalistas ou consumidores?”

september issue poster 0 BLOGINVOGA DICAS   O documentário The September Issue mostra o trabalho de Anna Wintour na Vogue Americana .
Como vocês sabem quando criei esse blog tinha o intuito de trazer assuntos legais sobre moda, e além de tudo treinar o meu lado jornalístico dando meu olhar sobre desfiles, lançamentos entre outras coisas  do mundo da moda. Esse mundinho diferente e tão mal interpretado acredito que consegui nesses pouco mais de seis ou sete meses passar a informação de uma maneira didática e simples para vocês.

            Nesses meses falamos sobre tudo e emiti opiniões, entrevistei pessoas bacanas como a jornalista Vivian Whiteman da Folha de São Paulo, Alexandre Perroca fotógrafo de moda e professor universitário, Rafaela e Fúlvia do 7it Brasil. Além de também trazer resenhas de diversos desfiles e eventos que fui como Glória Coelho, Rodrigo Rosner, Vitorino Campos, Têca, Maria Bonita, Alcaçuz entre outros com destaque a resenha do Google hangout de Júlia Petit na Belas Artes , mas hoje conversando com Amanda Luz uma amiga minha da Abest sobre isso me fez pensar sobre o meu papel como blogueiro, designer de moda e futuro jornalista.


            Quando o blogueiro atravessa a linha tênue que separa o jornalismo de moda do jabá ou publicidade? Será que blogueiras como Thássia naves, Lalá Rudge, Camila Coutinho, Raphaella Avena podem ser consideradas jornalistas de moda? Não é segredo para ninguém que hoje em dia o blog serve mais como um instrumento de propagação de conteúdo e não mais como um diário virtual. Se antigamente o instrumento era encarado como um hoje eu acordei assim e fiz isso, hoje em dia não mais um exemplo disso é o meu próprio blog que transmite o conteúdo de moda sem parecer piegas ou ditatorial.

            Acredito que o jornalismo tem justamente essa função de transmitir o conteúdo sem parecer ditatorial ele em sua essência tem que ser imparcial isto é não pode deixar clara suas predileções com criadores e marcas. Pois bem esse componente principal do jornalismo esta sendo jogado para o escanteio com a enxurrada de blogs que divulgam marcas e propagam os famosos looks do dia além de promover promoções e sorteios que muitas vezes não chegam a lugar nenhum. Será que isso é ter um blog de moda? Pois vejo blogs de moda dos mais variados e percebo que a grande maioria é de amantes da moda, mas amantes consumidoras e não amantes profissionais, por falar nisso quando é que a gente se torna um amante da profissão moda?



Gustavo Lins e seu Futebol Refinado em Paris


“Gustavo Lins mostra que o futebol brasileiro pode ser refinado”

Olá gente tudo bem com vocês? Então vamos viajar mais uma vez a Paris por um motivo muito especial o desfile do mineiro Gustavo Lins, isso mesmo, muita gente não deve saber, mas bem antes de Pedro Lourenço já havia um brasileiro desfilando nas passarelas europeias e esse se chama Gustavo Lins.

            O rapaz apresentou ontem em Paris sua coleção de alta – costura na embaixada do Brasil essa coleção apresentada teve como o mote futebol, mas engana-se quem esperava shorts largos ou camisetas largas estilo aos de jogadores. O designer mostrou em sua passarela uma coleção madura e com poucas cores trabalhando essencialmente com o preto alternando com o azul, cinza e verde criando interessantes conjuntos que alternavam peças estruturadas com outras mais descontraídas.



      


            Essas peças refletiam na silhueta que era bem marcada e modelada através das peças de alfaiataria como os paletós que apresentados tinham uma silhueta oversized e alternavam com as calças de cetim, além disso, Gustavo também fez uma ironia em sua coleção criando peças de pelúcia isso mesmo ele criou casacos azuis que tinham um toque de pele, mas não era pele de verdade é engraçado de se ver, pois se discute muito o uso delas pela indústria da moda já que a morte dos animais é cruel, portanto um estilista que propõe uma pele que não é pele é realmente algo interessante.

               Alternando essa pele falsa o designer também propôs casacos de couro ao estilo dos trench coats ingleses Burberry’s, para deixar a silhueta harmônica Gustavo combinou esses casacos com calças secas e justas, além desse estilo ele também propôs conjuntos de saia e frente única que como pode ser percebido na passarela eram bem estruturados e modelados realçando o corpo e desenhando a silhueta feminina. É muito interessante ver que um brasileiro esta oficialmente desfilando em Paris e que ele propõe uma moda atemporal, adulta sem ser ufanista demais ou tropicalizada como se espera de coleções e designers vindos do Brasil.


terça-feira, 3 de julho de 2012

Fernanda Yamamoto : Verão 2013

“Arquitetura artística de Fernanda Yamamoto”

            Pegando o voo de volta ao Brasil voltaremos a tratar da SPFW, dessa fez com Fernanda Yamamoto que nessa estação propôs uma coleção que unia a arquitetura com artes plásticas através de Luis Barragán e Hélio Oiticica. A primeira vista esse tema parece um pouco confuso e esquisito já que pelo que se sabe os dois não tem trabalhos em comum e muito menos alguma  similaridade, pois a estilista com muita perspicácia uniu esses dois designers criando uma coleção comercial, mas com uma forte identidade conceitual através do uso das cores e tecidos.

            Essa identidade foi muito vista nos conjuntos apresentados de shorts, saias e calças os quais trabalhavam com opostos como secos e over, estruturados e descontraídos. Além desse trabalho de recriação da silhueta a estilista também trabalhou com texturas e tecidos análogos os quais criaram uma imagem muito interessante de se ver na passarela, pois combinava tendências ao exemplo do brilho com o opaco entre outras tão em voga nas publicações de moda brasileira atualmente.


              Para criar essa coleção de extremos arquitetônicos, Fernanda trabalhou com rosas, roxos, azul royal, amarelos, cinza, laranja, nude e lilás essa mistura de cores também entrou em contato com os extremos apresentados , merece destaque o vestido preto com estampa quadriculada que remetia as casas coloridas de Barragán tão populares no México, a mistura também foi feita através de tecidos como tule de armação , organza plastificada, tricoline maquinetada  e o jacquard que aparece em dois padrões diferentes. Destaque para a regata laranja que aparentemente era feita de quadradinhos laranja que fazia um acompanhamento incrível com a calça molenga estilo baggy dos anos 80.

            Nessa estação também a designer estreou sua parceria com a marca Triumph para qual a estilista está criando a linha de Ivete Sangalo, isso mesmo leitores, Fernanda Yamamoto esta desenvolvendo a nova coleção da marca a qual terá a chancela de Ivete, como afirmado no release a escolha da estilista foi pautada principalmente pelo talento dela e também pelo design. O que se viu ainda que discretamente na passarela foram calcinhas clássicas e sutiãs simples nas cores rosa e roxo que deram um acabamento interessante para as peças que tinham detalhes em nude.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

A Retrospectiva Minimalista de Raf Simons na Christian Dior

“Raf Simons faz uma retrospectiva histórica previsível na Christian Dior.”

            Olá Leitores do blog, dando um tempo na SPFW vamos pegar a ponte aérea e ir até Paris que hoje pela manhã teve desfile de alta – costura da Christian Dior. Como eu havia dito anteriormente muito se especulava sobre quem seria o seu diretor criativo, mas essa manhã tivemos a prova definitiva, como anteriormente confirmado pela imprensa estrangeira Raf Simons da Jil Sander largou a marca alemã assumindo assim o posto que outrora fora ocupado por Bill Gayteen, John Galliano, Marc Bohan, Yves Saint Laurent, Gianfranco Ferré e do próprio Dior, o que se viu na passarela se pudesse definir em uma palavra seria decepção.


            Com a contratação de Raf a imprensa toda e até eu pensamos que viria uma nova era de ouro da marca com uma alta - costura marcante e teatral tal qual Galliano, mas com um pé na realidade, ou seja, um sonho usável já que acima de tudo a alta - costura tem esse papel na indústria da moda, o papel de vender sonhos e desejos que serão depois reinterpretados para milhões de consumidores ávidos em diversos lugares do mundo do oriente ao ocidente. Mas o designer que hoje estreou nessa função esqueceu-se desse papel central apresentando uma Dior minimalista e sem graça nenhuma com roupas que particularmente qualquer marca da SPFW ou Fashion Rio poderia ter desfilado.

            Minimalista no uso teatral das cores que Galliano tanto ousava no seu período áureo, mas não nas silhuetas se o ultimo desfile de Bill Gayteen no controle da marca já havia sido uma retrospectiva disfarçada de coleção, Raf Simons fez o mesmo com uma apurada pesquisa aos arquivos da marca trazendo as silhuetas clássicas das décadas de 40 e 50 a exemplo do tailleur Bar ou como Carmel Snow da Harper’s Bazaar americana apelidou de New Look no pós 2° guerra mundial, além dessa mítica silhueta houve o retorno do vestido preto ajustado um clássico da marca no fim da década de 40 assim como os vestidos de festa de linhas puristas que na releitura de 2013 ganharam mangas compridas até os pulsos.








       Mas no meio desse marasmo merece destaque a alfaiataria precisa e bem modelada da marca que mostra o lado b da  Christian Dior o de ternos bem estruturados e modelados além de um preciso uso do preto criando conjuntos simples mais comerciais. Raf Simons pode ter mexido em um dos pilares centrais da alta – costura francesa, mas no final mostrou que o antídoto para a crise que assola a Europa não se resume a apresentações teatrais e sim em uma boa roupa clássica e atemporal tal qual a Christian Dior é e sempre será.


Têca por Helô Rocha: Verão 2013


“Helô Rocha troca o Rio por São Paulo e dá uma volta ao mundo na SPFW”

Olá queridos leitores que acessam esse espaço diariamente, tudo bem com vocês? Espero que sim e continuando as atualizações sobre a SPFW que depois de três semanas de posts sobre o evento chega a seu último dia aqui no blog. Dessa vez venho com a coleção da Têca de Helô Rocha para quem não sabe a marca já era participante do Fashion Rio, mas esse ano ela resolveu mudar e trazer sua coleção fresca e moderna de verão para desfilar na bienal de São Paulo.

            Em sua estreia por aqui a marca trouxe uma coleção inspirada na literatura de Julio Verne e seu popular livro “A Volta ao Mundo em 80 dias”, a inspiração literária era visível nos acessórios e estampas que traziam referências a mapas entre outras coisas alusivas ao livro e sua história. A silhueta da marca veio alternando momentos acinturados e estruturados com outros mais leves e descontraídos isso era muito visto em blusas estampadas que faziam conjunto com shorts de alfaiataria, o acinturados eram vistos em vestidos com saia plissada e mangas três quartos que no desfile apareceram combinados com lenços estampados.




            A designer trabalhou nessa coleção com uma cartela de cores que transitava entre os tons entre menta, tangerina, goiaba, nude e preto, essa cartela foi dividida durante o desfile entre os vestidos de coquetel que por serem mais utilizados à noite vieram em preto combinados com outros tons, e os conjuntos de dia a dia estes vieram com muitas estampas e tons claros. Merece destaque a cenografia apresentada com um telão em formato de escada na boca de cena, antes do desfile nessa escada foram projetadas imagens as quais remetiam ao balão e o globo terrestre tal qual o livro de Julio Verne.










domingo, 1 de julho de 2012

Lino Villaventura : Verão 2013


“A celebração feminina de Lino Villaventura”


            E continuando a SPFW aqui no blog, hoje vou comentar da coleção de verão do talentoso Lino Villaventura, para quem não sabe ele vestiu Xuxa Meneghel no filme Xuxa Popstar além de ser amigo dela e de outras famosas. Quem acompanha o blog a certo período já deve ter lido a resenha do inverno de Villaventura em que ele fez uma série de rainhas debochadas e exibicionistas.

            Com a referência do desfile de janeiro fui com esse conceito assistir esperava uma coleção negra como fora proposto pelo mesmo para o inverno, mas com um toque irreverente como é tradição nos desfiles de Lino Villaventura, mas fui surpreendido positivamente com uma série de vestidos de festa bem cortados e uma silhueta ajustada ao corpo e 100% feminina. Ainda inspirado nos tempos imperiais o designer criou uma mulher mascarada e enigmática a qual se mascara para os mortais da sociedade.


          

       
          Eu interpretei a máscara como sendo um método de fuga já que aparecia em momentos pontuais do desfile, isto é como se a mulher fosse frágil, mas para não aparentar usa a máscara para proteger-se do externo. No release entregue aos jornalistas fazia-se presente um texto escrito pelo próprio Lino em que ele afirmava as graças da vida, portanto creio que o desfile nada mais foi que uma celebração a mulher e a seus encantos mais profundos. Merece destaque os sapatos desenhados pelo próprio e fabricados em parceria com a marca Corso Como, a utilização dos cristais tchecos Preciosa que apareceram nas máscaras e nas lagartixas que pontuavam alguns looks.

            Para criar essa celebração feminina Lino usou e abusou dos tons da pele, nude, pérola que foram pontuados com roxos, vermelhos e detalhados por ouro, cobre, bronze e prata, por se tratar de uma celebração a mulher os homens propostos pelo designer vestiam-se de preto e às vezes usavam “antolhos” ao estilo dos cavalos de charretes antigas o que deixava claro a servidão desses rapazes as mulheres de Lino Villaventura. Destaque também a coreografia do desfile em que algumas modelos apareciam fazendo movimentos com as mãos como se fossem bruxas ou algo do tipo, lembrou-me a bruxa gótica que a cantora Madonna encarnou no clipe de Frozen em 1998.